economia
BTL ganha força com saturação digital e recoloca experiências no centro do marketing
Levantamento sobre marketing aponta avanço sustentado do BTL nos últimos três anos. Movimento reforça a busca das marcas por presença física, experiência direta e relações menos dependentes de mídia digital.
O crescimento do Below The Line nos últimos anos indica uma mudança relevante na forma como marcas estão tentando recuperar atenção fora das telas. Em um cenário no qual a [fragmentação da busca e dos ambientes digitais](https://portal.oformi.com.br/noticia/google-e-ferramentas-de-ia-fragmentam-a-busca-e-pressionam-marcas-por-credibilidade-65a1ed) pressiona a construção de credibilidade, ativações presenciais, sampling, eventos, varejo, experiências imersivas e ações de proximidade voltam a ocupar espaço estratégico nos planos de marketing.
O Barómetro do Marketing 2026 aponta que o BTL foi o único frente de investimento em marketing com crescimento sustentado nos últimos três anos. O dado reforça uma leitura que já vinha aparecendo em diferentes mercados: a saturação digital não eliminou a importância da mídia online, mas passou a exigir que marcas criem pontos de contato mais tangíveis, memoráveis e difíceis de ignorar.
Na prática, o avanço do BTL traduz uma reação à fadiga de formatos repetidos, à inflação de atenção nas plataformas e à dificuldade de diferenciar mensagens em feeds cada vez mais automatizados. Para anunciantes, a experiência física ou híbrida passa a funcionar como ativo de marca, não apenas como ação promocional pontual.
Esse movimento também muda a dinâmica para agências e produtoras. Times criativos precisam pensar menos em peças isoladas e mais em jornadas completas, capazes de conectar rua, loja, evento, comunidade, influenciadores, mídia paga e conteúdo social. A discussão se aproxima da demanda por marcas com leitura cultural mais precisa, especialmente em um ambiente no qual [creators cobram menos cenário e mais história](https://portal.oformi.com.br/noticia/a-ressaca-das-brand-trips-creators-pedem-menos-cenario-e-mais-historia-349bcc).
O varejo tende a ser um dos territórios mais disputados nessa nova fase. A loja, o ponto de venda e os espaços temporários ganham relevância como mídia, laboratório de conteúdo e palco de relacionamento. Para marcas nativas digitais, o BTL também pode virar uma forma de materializar identidade, gerar prova social e criar repertório visual para canais próprios.
A retomada das experiências não significa abandono do digital. O sinal mais forte é de integração: dados, conteúdo, CRM, influência e performance precisam dialogar com ações presenciais de maneira mais consistente. Em um mercado em que até a [governança de marca passou a ser pressionada pela IA](https://portal.oformi.com.br/noticia/ia-acelera-planos-de-rebrand-e-expoe-disputa-por-governanca-de-marca-903aa4), o BTL reaparece como uma resposta concreta à necessidade de presença, contexto e vínculo real com o público.